Sou Paola Croso e me defino uma criativa mais do que uma artista, pois isso me deixa mais livre. A ideia da casa-refúgio sempre foi algo muito crucial para mim. Quando era pequena me comovia ver os barracos de casa em madeira ao longo da estrada. As chamava de casa rovesciata, em italiano, que quer dizer a casa tombada do avesso. Me dava tristeza ver que pessoas pudessem morar assim sem aconchego. Numa casa caída. Sem amor. Sempre priorizei materiais naturais tanto para vestir o corpo como para vestir a casa. Materiais e cores naturais proporcionam um sentido de acolhimento, aconchego, bem-estar. Os elementos naturais são um verdadeiro antidoto dos fatores que criaram o distanciamento social e afetivo e são os perfeitos catalizadores de um novo significado do “sentir”, ou melhor dito, são aqueles que estimulam o acordar dos sentidos. Em direção a uma nova humanidade. Os materiais naturais evocam um sentido de lugar, de pertencimento, de acolhimento e convidam à experiencias em comum, coletivas e sociais. São esses elementos que seguram juntas as pessoas e as comunidades. Trabalho com materiais suaves como o algodão, linho e lã e outros mais matéricos como a madeira, a cal, a terra e cerâmica. Adoro trabalhar em parceria com outros artesões pois dali nasce uma simbiose, uma alegria, uma sinergia tão boa que ajuda a transformar realidades. O nome do projeto é All Together Now e as duas primeiras parcerias que fiz foi com a Marcenaria Caravelas de onde nasceu a mesa Valentino e o Lanificio Leo italiano onde realizei as cobertas e plaids e tapeçarias para paredes. O trabalho feito com as mãos carrega dentro de si uma força sem igual. Mesmo sendo os resultados as vezes imperfeitos trazem muita poesia e revelam a paixão e motivação de quem os realizou. Pois ali se encontra o ato criativo, a intenção e o tempo contido. Tempo. Algo muito precioso. Isso nos desacelera. Nos traz para o presente. Nos da paz. Nos criativos temos um papel importante nesse momento crucial da história. Fomos educados a sermos os melhores, a temer o outro e ser seu concorrente. Mas ao longo da vida percebemos que isso nos distanciou de tudo, de todos, de nós. Quem sabe agora aprendemos que o importante é cooperar, colaborar, criar parcerias. Sozinhos não damos conta e começa a perder a graça. A nova geração nasceu mais evoluída e nos ensinou isso. Nos ensinou muito. E ao mesmo tempo temos um compromisso em ajudá-la pois o mundo que encontraram não é o melhor dos mundos. Essa é uma nossa missão muito importante. Mais do que nunca temos que usar a paixão que nos move e que nasce do trabalho manual para ajudar a inspirar o outro, pois isso é um ato de afeto e por traz disso existe um poder de cura e transformação muito forte. Pois ali nas mãos está a expressão mais sutil do sentir. Unindo criativos e artesões para criar, co-criar, ensinar, inspirar, transformar. Assim nasce o belo e o novo essencial.
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